Os cubanos e o papel higiênico  

Granma

Os países que viveram a experiência socialista sempre conviveram, também, com filas, racionamentos, mercados paralelos e práticas semelhantes, excluindo, evidentemente, as elites no poder. Mas, falta de papel higiênico ninguém merece! A mídia andou, há algum tempo atrás, noticiando que o governo cubano prometera reduzir o problema com a importação de papel, mas, ao que tudo indica, a promessa não se concretizou e os cubanos, ou continuam com o dito cujo sujo, ou precisam recorrer ao jornal oficial, o Granma, para a devida limpeza, o que resulta em outro grande problema, pois segundo alguns deve ser difícil limpar m... com outra m...

Reinaldo Azevedo refere-e ao fato em seu blog, informando que as filas para comprar o jornal são grandes e que o preço do jornal da semana anterior tem o mesmo valor que a edição do dia. Os comentários postados também são interessantes, pois alguns leitores se questionam que para limpar, é necessário defecar e que para defecar é necessário comer, mas parece que isto também não deve ser muito fácil na ilha paradisíaca. Reinaldo informa que os cubanos também têm recorrido ao Dicionário de Pensamentos de Fidel Castro, um calhamaço de mais de 300 páginas muito apreciado por suas folhas finas e macias. A prática até seria interessante se as pessoas pudessem absorver a doutrinação ideológica por osmose, pois, desta forma, a falta de papel higiênico seria um forte aliado da revolução.  Alguns até se sentem aliviados, pois a sorte da bunda é que ela não lê. Enfim, se algum dia me vir sem papel higiênico, espero ter   às mãos, pelo menos, algumas páginas de Platão e Aristóteles, pois o “fiofó”, que me desculpem as reflexões escatológicas, é um lugar de respeito e deve ser tratado com todo esmero.

A Cúpula da Unasul

Os presidetnes latino-americanos adoram se exibir como estadistas. Se comportar à altura de tal posição, no entanto, parece um pouco mais complicado!  Sete horas de reunião, bravatas, acusações e uma nova reunião marcada para setembro. Consenso? Nenhum. Imaginem se tivessem que tomar medidas efetivas para defender a região de uma ameaça consolidada às soberanias dos países que presidem! Quem nos salvará dos “ianques”? Quem portegerá a Amazônia? Quem nos salvará dos nossos presidentes?

Lula pede explicações a Obama que o ignora. Lula quer que a cúpula não seja trasmitida ao vivo, pois já sabe o que será exibido. Lula diz que o problema do narcotráfico é dos Estados Unidos, pois são eles que mais consomem drogas. Opa! Como assim, “cara pálida”? Eles consomem mais drogas porque têm mais dinheiro para comprá-las. Dá mais um pouqinho de grana para a galera destas bandas que você vai ver o que acontece! O problema do narcotráfico é deles? Em que país essa gente vive? Talvez no paraíso socialista que criaram em suas cabeças entupidas de ideologia, do qual não fazem parte as milhares de vítimas anuais que mancham o chão de nossa “pátria amada”.

Lula não quer uma solução militar para o problema do narcotráfico e para o terrorismo na Colômbia. Afirma que os militares e as armas dos Estados Unidos já estão lá há décadas e que o problema não foi resolvido. Boa! Mas, por que não ensina ao Obama e ao Uribe como resolveu o problema no Brasil? Nossos presidentes não conseguem integrar ações e “inteligência” para enfrentar as questões do narcotráfico, da proteção ambiental à Amazônia e de outros tantos desafios que caracterizam os países da região. Dão margem a interferências externas, que não são só dos Estados Unidos, diga-se de passagem, e aí ficam todos ofendidinhos. E quanto à questão das FARC? O Lula, e outros “estadistas” da América do Sul, querem uma solução “negociada” e que os guerrilheiros se organizem em um partido e disputem o jogo político. Já sabemos como termina essa história: sequestros, roubos, atentados e, por fim, a premiação com cargos públicos e talvez indenizações. Boa! Que Deus nos salve! 

O Poliglota

 

Um suíço, procurando explicações sobre um trajeto, pára seu carro ao lado de outro carro ocupado por um casal de brasileiros, e pergunta:

- Entschuldigung, koennen sie Deutsch sprechen?

Os dois brasileiros ficaram mudos.

- Excusez-moi, parlez vous français? – tentou.

Os dois continuaram a olhar para ele impávidos.

- Prego signori, parlate italiano?

Nada por parte dos brasileiros.

- Hablan ustedes español?

Nenhuma resposta.

- Please, do you speak english?

Nada.

Angustiado, o suíço desiste e vai embora.

Dona Marisa vira-se para Lula e diz:

Talvez devêssemos aprender uma língua estrangeira...

- Mas para quê, companheira? – pergunta Lula – esse que acabou de sair sabia cinco... E não adiantou nada.

 

Fonte: Humanus, 2007

 

Hoje, ao olhar uma árvore, veio-me à mente uma música que costumava cantarolar quando mais jovem. Não me recordo a autoria da música, mas tem como letra um poema de Joyce Kilmer (1886-1918). Senti o desejo de compartilhá-lo com vocês, pois é um dos mais belos poemas da língua inglesa. Qualquer tradução, por melhor que seja, representa um grande empobrecimento em sua musicalidade e beleza. Desisti de fazer uma tradução literal, mas encontrei uma tradução de A. Herculano de Carvalho que também reproduzo aqui.

  

ÁRVORES

Parece-me que nunca ninguém há-de
Ver poema tão belo como a árvore.

Árvore que sua boca não desferra.
Do seio doce e liberal da terra.

Árvore, sempre de Deus a ver imagem
E erguendo em reza os braços de folhagem.

Árvore que pode usar, como capelo,
Ninhos de papo-ruivo no cabelo;

Em cujo peito a neve esteve assente;
Que vive com a chuva intimamente.

Os tontos, como eu, fazem poesia;
Uma árvore, só Deus é que a faria.

 

Atos secretos

 

          A expressão com a qual nossos digníssimos senadores camuflavam suas ações que, segundo eles, nada tinham de ilegais, mas que preferiam manter ocultas da sociedade, lembram o título de filme de Hollywood. Quando acusados de passar a maior parte do tempo discutindo as suas próprias mazelas, se acusando e chafurdando no lamaçal de sua iniquidade, se defendem, afirmando que têm discutido e aprovado uma quantidade significativa de medidas importantes. Seria interessante fazer um levantamento estatístico, exibindo o tempo em que trabalham dentro das funções para as quais foram eleitos e o tempo gasto com CPIs, agressões verbais e debates sobre a roubalheira, a corrupção e os desmandos que caracterizam o mandato de grande parte deste Congresso. Como em partidas de futebol, deveriam ser obrigados a prorrogar, em dias de trabalho extra ou a terem descontados de seus salários, o tempo pago pelos contribuintes e roubado de forma tão vergonhosa. Atos secretos, não são atos retos de seres humanos que podem caminhar eretos. Só para rimar. Será que é assim que caminha a humanidade?

 

Vasculhando velhos textos em gavetas mais velhas ainda, deparei-me com um texto que circulou na antiga Mandic BBS e que eu reproduzi, na ocasião, em várias mensagens nos primórdios da Internet no Brasil. Leiam, pois trata-se de uma teoria científica interessante.

A TEORIA DO ESCURO

Por anos, tem se acreditado que lâmpadas elétricas emitem luz. Porém, recentes informações provaram o contrário.

Chamamos hoje as lâmpadas elétricas de "Sugadores de Escuro" (S.E.). A teoria de Sugadores de Escuro prova a existência do Escuro, que este possui massa, é mais poderoso e pesado que a luz e, ainda, que o Escuro é mais rapido do que a luz!

A base da Teoria do Escuro é a seguinte: lâmpadas elêtricas sugam o escuro.

Pegue, por exemplo, o S.E. que ha' em seu quarto.
Há muito menos Escuro perto dele do que em outras partes do ambiente. Maior o Sugador de Escuro, maior sua capacidade de sugar. Sugadores de um estacionamento, por exemplo, tem capacidade muito maior do que o de um quarto.

Bem, como todas as coisas, S.E.'s não vivem para sempre... Uma vez cheios de luz, eles não mais podem Sugar (Isto é provado pela mancha preta que aparece em um Sugador cheio). Uma vela é um Sugador primitivo. Uma vela nova tem um pavio branco. Você notará que depois do primeiro uso, o pavio se tornará preto, representando todo o escuro que foi sugado para ele. Perceba que se você segurar um lápis para perto do pavio de uma vela em operação, uma parte ficará preta devido a ele ter ficado no caminho do fluxo de Escuro para dentro da vela. Infelizmente, estes primitivos Sugadores de Escuro tem capacidade muito limitada.

Existem tambem S.E.'s portáteis.

As lâmpadas destes não podem suportar todo o escuro por elas próprias, necessitam de uma B.A.T.E.R.I.A (Base de Armazenamento Total de Escuro por Raios Internamente Absorvidos). Quando a unidade está cheia, a capacidade diminui e é necessário esvaziá-la (erroneamente conhecido como recarregar) ou substituí-la para que o equipamento possa voltar ao funcionamento.


O Escuro tem massa.

Quando o escuro entra no S.E., a fricção com este gera calor. Portanto, não é aconselhável tocar um Sugador em operação. Velas representam um problema especial visto que o Escuro necessita se deslocar para dentro de um pavio sólido, ao invés de um vidro transparente. Isto gera grande quantidade de calor. Pode ser muito perigoso tocar uma vela em operação.

O Escuro é também mais pesado que a luz: se você nada sobre a superfície de um lago, voce vê muita luz. Agora, ao passo que você vai descendo e descendo, você percebe que lentamente vai ficando mais e mais escuro. Numa certa profundidade, a escuridão será quase total. Este fato ocorre devido ao Escuro (mais pesado) ir ao fundo enquanto a luz (mais leve) flutua para a superfície. O imenso poder do escuro pode ser usado para o bem do homem. Podemos coletar o escuro que submergiu no fundo de rios e lagos e empurrá-lo, junto com a água, para turbinas, as quais podem gerar eletricidade para novamente ligar Sugadores de Escuro pela cidade (Escuro atrai Escuro). Em um rio, uma canoa navegando a favor do fluxo de Escuro, deve-se remar lentamente, para não atrapalhar este fluxo. Mas, quando navegar contra o fluxo, deve se remar rapidamente para ajudar a empurrar o Escuro ao longo de seu caminho.

Finalmente, precisamos provar que o Escuro é mais rápido que a luz. Se você permanecer em um quarto iluminado em frente a porta de um armário fechado e escuro e vagarosamente abrir a porta, você verá que a luz entra lentamente pelo armário. Mas, como o escuro é tão rápido, você não é capaz de ver este sair do armario.

Concluindo, gostaria de dizer que S.E.'s fazem tudo para que nossas vidas sejam mais fáceis. Portanto, da próxima vez que voce olhar para uma lâmpada elétrica, lembre-se de que é, de fato, um Sugador de Escuro!

Qual é o “tamanho” da escola? Qual é o “tamanho” da sociedade? Qual é o “tamanho” da família? A escola é um mercado? A educação é um produto? O aluno é um cliente? Estes temas, ou outros a eles relacionados, permeiam as discussões dos pedagogos, especialistas, filósofos da educação, proprietários, diretores e coordenadores das instituições de ensino, alunos e famílias.

 As relações entre os diferentes atores do processo de formação das crianças e adolescentes é um dos eixos fundamentais nos atuais debates sobre o processo educativo e representa um dos principais desafios e fonte de ansiedade, principalmente para aqueles mais diretamente envolvidos com este processo. Não há dúvidas de que a família “diminui” e que se exige da escola um “aumento” que, muitas vezes, extrapola os seus limites naturais, causando uma tensão que nem sempre é benéfica para a formação de jovens que deverão atuar num mundo esvaziado de valores, respeito e comprometimento. Recebi de um amigo um e-mail que reflete um dos aspectos que, até certo ponto, ilustra parte das dificuldades que caracterizam a formação e educação modernas. Trata-se da pergunta vencedora em um concurso feito em um congresso sobre vida sustentável. O e-mail veio acompanhado por uma ilustração.

 

“Todo mundo ´pensando´ em deixar um planeta melhor para os nosssos filhos...Quando é que ´pensarão´ em deixar filhos melhores para o nosso planeta? 

 

 

A mídia mundial tem abordado, nos últimos dias, a reforma do sistema educacional na Venezuela. Os defensores da proposta se remetem à necessidade de “democratizar” a educação e defendem a idéia de que a escola deve ter como um dos seus objetivos difundir os valores da reforma bolivariana. É claro que esta proposta tem suscitado inúmeros protestos e manifestações no país, incluindo cenas de violência. Trata-se, na verdade, de mais um mecanismo de manipulação da sociedade e massificação ideológica e um forte passo na falência total da democracia no país, como exemplificado nos eventos que têm marcado a atuação da imprensa, ainda que o nosso ministro Amorim tenha exaltado a democracia venezuelana. A reforma educacional prevê forte intervenção nas Universidades, solapando o princípio de autonomia administrativa e acadêmica; controle altamente centralizado de currículos e controle na contratação de professores, obviamente não baseados na competência acadêmica, mas principalmente na filiação ideológica.

 

Os admiradores do socialismo latino-americano, como praticado em Cuba e na Venezuela costumam atenuar a ausência de liberdade nestes países, argumentando que a democracia dos países ocidentais não passa de uma miragem, pois são sociedades extremamente desiguais do ponto de vista social e econômico, dominadas pelos grandes conglomerados e instituições financeiras e submetidas ao fetiche do consumo. É claro que, em nenhum país, a educação é neutra: ela atende a interesses políticos e econômicos, mas quando se preserva uma relativa liberdade é possível o desenvolvimento de uma certa criticidade e a manifestação de visões antagônicas, suscitando o debate e a dinâmica social e política.

             Quando se acusam as distorções presentes nestes regimes, é comum aos seus defensores atenuar esta realidade com os velhos “chavões”, e ares de indignação, se referindo aos benefícios sociais alcançados nestes países: “sim, mas vejam a saúde e a educação”. Além de se poder questionar muito as estatísticas (pois elas também permitem várias interpretações), é necessário considerar que de nada valem melhorias nas condições de vida se, ao mesmo tempo, suprimirmos o que torna esta vida digna de ser vivida, ou seja, a possibilidade de aperfeiçoar a consiciência humana através do exercício da liberdade. De nada vale universalizar a educação, colocando todas as crianças na escola, se o que nela se ensina conduz ao embotamento da consciência, tranformando crianças e adolescentes em matéria-prima de uma engenharia social e política que transforma homens em seres sem sensibilidade, visão autônoma e suprimindo o seu aperfeiçoamento espiritual. Tirem as crianças da escola, enquanto é tempo! 

 ECCE HOMO

Sim, bem sei donde provenho:

Insatisfeito, como chama em seco lenho,

Vou ardendo e me consumo.

Tudo o que toco faz-se luz e fumo,

Fica em carvão o que foi minha presa:

Sim, sou chama com certeza.

                                            Nietzsche

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